Sem essa espoleta, as células humanas seriam capazes de continuar crescendo e se dividindo infinitamente. Na realidade, os cientistas acreditam que as células desenvolveram os telômeros como uma forma de evitar o crescimento fora de controle de células tumorais.
Graças aos telômeros, a maioria das células humanas somente pode se dividir de 50 a 100 vezes, antes que seu mecanismo de tempo as desligue.
Uma das atuais teorias do envelhecimento sustenta que, à medida em que as células do corpo de uma pessoa começam a atingir esse limite imposto pelos telômeros, a falta de vitalidade, novas células causam os sinais típicos do envelhecimento: pele enrugada, órgãos que param de funcionar, sistema imunológico fraco etc.
Se a perda dos telômeros realmente causa ou não o envelhecimento permanece uma questão controversa, diz Shay. O fato de que telômeros cada vez mais curtos andam lado a lado com o envelhecimento é bem documentado.
"É difícil de comprovar causa e efeito nesses casos. Mas eu acredito que há um número suficiente de estudos de correlação, feitos por vários pesquisadores diferentes, para que se possa começar a acreditar que telômeros mais curtos sejam uma marca do envelhecimento," defende Shay.
Pesquisas recentes, feitas por Frank Cucinotta e seus colegas, mostraram que a radiação de núcleos de ferro (um componente importante dos raios cósmicos) realmente danificam os telômeros de células humanas.
Para provar isto, eles expuseram lâminas de laboratório contendo um tipo de célula do sangue humano, chamadas linfócitos, a feixes de radiação de núcleos de ferro e raios gama. Até recentemente, uma análise tão completa dos danos dos telômeros gastaria um tempo que seria proibitivo.
Mas uma nova técnica de coloração de células, chamada RxFISH ("Rainbow cross-species Fluorescence In Situ Hybridization"), permitiu a Cucinotta e seus colegas acompanhar muitos telômeros simultaneamente.
As fitas de telômeros se dobram em longas voltas, como pequenos nós nas extremidades dos cromossomos. Os raios gama somente conseguem atingir um lado ou outro dessas voltas, mas o núcleo de ferro pode atingir ambos os lados aos mesmo tempo, infligindo um dano permanente no telômero - possivelmente causando seu completo desaparecimento. Entretanto, essa explicação ainda é meramente especulativa.
A tarefa agora é quantificar o risco que os danos aos telômeros possam representar para os astronautas, a fim de que os gerentes das missões e os próprios astronautas tomem decisões balizadas sobre os riscos com os quais eles irão se defrontar. Mas, sob todas as perspectivas, os efeitos deverão ser modestos, diz Shay.
"Nós estamos falando sobre coisas sutis. Estas pessoas provavelmente não irão parar em cadeiras de rodas ou coisas do tipo simplesmente por ter ido ao espaço," explica Shay.
Por exemplo, os astronautas que tiveram o maior índice de exposição à radiação, como os astronautas da missão Apollo que viajaram até a Lua, tendem a ter catarata, em média, sete anos antes do que os outros astronautas. Cataratas são um sinal do envelhecimento.
Alvo de uma preocupação muito maior é o possível envelhecimento do cérebro e da médula espinhal. Experimentos com ratos têm mostrado que o tecido cerebral é vulnerável ao "envelhecimento" pela radiação com núcleos de ferro - de acordo com pesquisas feitas por Jim Joseph, da Universidade Tufts, e Bernie Rabin, da Universidade de Maryland.
Entretanto, se os cientistas puderem detectar a forma exata com que a radiação com partículas de ferro afetam os telômeros, eles poderão ser capazes de descobrir formas de evitar ou corrigir esses efeitos. A solução poderá ser tão simples quanto tomar um comprimido com moléculas reparadoras de DNA. "Há muitas formas por meio das quais nós podemos intervir," diz Shay.
De uma forma ou de outra, a NASA está decidida a manter seus astronautas se sentindo sempre jovens.